Wednesday, March 23, 2005

Orgulho - muito orgulho - em ser portista

Tive a (in)felicidade de assistir, no estádio, ao Sporting-Porto de segunda-feira à noite e devo dizer que, apesar do resultado, saí de lá extremamente satisfeito. Em primeiro lugar porque, por ser portador de um convite VIP, tive acesso, qual agente infiltrado, aos locais reservados a membros da Direcção e convidados ilustres – Jordão, Manuel Fernandes, Paulo Sousa, João Rocha, Vítor Pereira, estavam lá praticamente todos os que, de uma forma ou de outra, contribuíram nos últimos anos para os (felizmente poucos) sucessos do Sporting. O serviço de catering era excelente – pratos deliciosos, bolos, queijos, fruta, bebidas, tudo à descrição -, e por isso aproveitei para comer que nem um porco e, assim, contribuir, se bem que modestamente, para aumentar o já de si enorme passivo do Sporting.

Em segundo lugar, e falando do jogo propriamente dito, porque pude constatar algo que, apesar de óbvio, me deixou agradavelmente surpreendido: os adeptos do Sporting arrepiam-se todos sempre que a bola está a menos de 40 metros da baliza do Ricardo. É verdade. Eles não o suportam. Esqueçam tudo o que já ouviram ou leram por parte dos sportinguistas em relação ao Vítor Baía. Tudo não passa, percebo-o agora, de uma enormíssima frustração que resulta do facto de, não só o Porto ter o melhor guarda-redes português, mas sobretudo por terem que gramar com um que os faz tapar os olhos sempre que há um remate ou um cruzamento – ai, os cruzamentos!... – junto à sua baliza. É algo digno de se ver.

Quanto à exibição do Vítor Baía, cedo me apercebi que ía ser um daqueles jogos em que tudo corre lhe mal: remates à figura que ele não agarra à primeira; cruzamentos simples em que ele deixa passar a bola por entre as mãos; pontapés de baliza mal efectuados; enfim, uma exibição... à Ricardo. A verdade é que todos os anos o Baía faz um jogo como este. O ano passado foi contra o Gil Vicente, este ano coube a sorte ao Sporting. Só prova que ele é humano e, ao mesmo tempo, serve para que os Anti-Baía, pelo menos uma vez por ano, tenham a possibilidade de fazer aqueles comentários inteligentes e originais, tipo "E ainda querem que o Baía vá à Selecção!" ou "Eu sempre disse que ele não era grande coisa", sem os quais as suas vidas não fariam qualquer sentido.

Por fim, o momento alto da noite: ver 40 mil sportinguistas, aos 92 minutos de jogo, a gritar ‘Olés’ (mas borrados de medo de um possível empate!) contra uma quipa que está a jogar com 9, fez me sentir, por um lado, vergonha por estar naquele estádio, por outro, orgulho - muito orgulho - em ser portista.

Ricardo