Wednesday, July 14, 2004

Porquê sermos os melhores? Será que compensa?

Efectivamente num país que por vezes roça o absurdo, quando olhamos para os nossos mandantes e não nos reconhecemos, ou se calhar reconhecemos que o país é assim, temos uma alegria de ver na “nossa” Selecção Nacional os melhores!?

Afinal, a mensagem que os gurus da gestão estratégica nos passam está correcta e é cumprida: necessitamos dos melhores, devemos apostar na formação, …
Era bom, não era?

O “nosso” seleccionador nacional deu ao país uma lição: não é necessário ser o melhor, basta ter os melhores contactos para atingirmos os nossos fins.
Apesar do Sr. ser brasileiro, e português durante o torneio Euro 2004, rapidamente aprendeu a filosofia de funcionamento do Terreiro do Paço.

Ainda o Vítor Baía estava no começo da sua fantástica carreira, e já era submetido às injustiças que a paixão do futebol acarreta. Quando é Campeão Nacional de juvenis, e como recordação, solicita ao árbitro do último e decisivo encontro o apito. Cedo apareceram as primeiras atoardas, que não me digno aqui referir.
Podia agora falar de como abdicou de ser Campeão Mundial para conquistar a titularidade do seu clube, como foi enriquecendo o seu palmarés que guardião algum luso conseguiu, etc.

No entanto, na já sua longa, mas não terminada carreira, vemos um profissional que sempre respeitou o futebol, correctíssimo para com os seus colegas de profissão e para o público que são a alegria dos estádios. Apenas consigo comparar a sua atitude em campo, e fora dele, com um atleta de carácter irrepreensível: Gary Lineker.

Cruzei-me muito poucas vezes com Vítor Baía. Contudo, fica-me na retina uma noite em que ele estava visivelmente abatido. Estou a falar num dos dias seguintes ao lamentável episódio de Campo Maior. Penso que nessa altura ficou com a sensação de que não tinha dimensão para o nosso futebol. A certeza foi adquirida quando os 6 milhões de portugueses rejubilaram de alegria com o primeiro ano em Barcelona. De alegria em alegria iam adquirindo como certo o final da sua carreira, uma vez que a lesão do joelho não havia maneira de ser completamente debelada.

Eis que senão quando, restabelecido fisicamente, começa a adquirir a sua forma física, porque a mental nunca a perdeu.

E isto tudo de um menino que uma vez numa acção de captação de talentos, quando viu que já não havia vagas para outras posições, disse que era guarda-redes …

Paulo Pinto