Thursday, June 03, 2004

Todos com a Selecção!

O remate é forte, bem colocado, mas mais uma vez Vítor Baía responde à altura das exigências, desviando com meia dúzia de palavras as más intenções de um disparo saído dos pés do Europeu. A alma acusa o momento mas a mente que a guia é forte para contornar o sentimento e olhar de forma nobre para o objectivo de um País. Enfim, uma defesa... ao seu estilo.



A mesma frieza evidenciada entre os postes, a mesma frontalidade com que encara o mais perigoso avançado à face do universo. Vítor Baía continua igual a si próprio, seja de luvas e chuteiras calçadas, seja com um fato de corte italiano vestido. Azul, pois claro. É assim que elimina o desconforto da questão que anda na boca de meio mundo: como se sente o guarda-redes campeão nacional e vencedor da última edição da Liga dos Campeões com o facto de ser forçado a seguir o Europeu pela televisão? «Já se falou muito sobre essa situação. É lógico que há alguma tristeza, mas prefiro enaltecer tudo o que de bom vivi com a camisola da Selecção Nacional », sai com delicadeza do lance perigoso, «feliz e com a consciência tranquila de ter defendido da melhor maneira possível o nosso país». No sofá «sofre-se mais». Desconforto que o guardião nacional vai «ter de aguentar », especialmente no momento em que a bola começar a rolar pelo relvado e da bancada se gritar Portugal. «Aí, vou torcer por fora esperando que a Selecção consiga vencer», junta a sua voz à dos milhões de portugueses, «respeitando as opções tomadas» e com o «forte desejo » de ver Figo e companhia «vencerem a final na Luz». «Não só no Dragão como no País inteiro, todos devem estar com a Selecção », faz o apelo à nação. O que nem a ausência do torneio do Velho Continente poderá beliscar é o nível elevadíssimo da temporada realizada por Vítor Baía. «Melhor seria impossível», deixa escapar, até porque a ela se associa a «conquista de títulos importantes». Campanha em que o 99 portista adquiriu o passe para o clube restrito dos jogadores que venceram as três provas europeias, designadamente a Liga dos Campeões, a Taça UEFA e a extinta Taça das Taças. «É gratificante e extraordinário poder juntar todos os troféus de clubes a nível europeu. É isto que faz e que perpetua uma carreira. Sinto-me feliz por tudo o que tenho feito».